Ir para Página Inicial


12 Usuário(s) Online

Artigo do dia: 05/02/2010

Mundo dos Recibos e Comprovantes

Vivemos em um mundo desconfiado, em que a palavra vale pouco, ou melhor, nada. Todos desconfiam de todos, o inimigo mora ao lado...

Ainda estamos na era de São Tomé, porquanto duvidar do outro, de suas palavras e atitudes é algo comum no mundo contemporâneo. Não quero ser mal interpretado, pois o direito à dúvida é inalienável ao ser humano, e, diga-se de passagem, salutar. Acreditar cegamente em tudo seria inconveniente. Questionar é preciso. Todavia o enfoque do presente texto é mostrar a importância de sermos verdadeiros para semearmos a verdade e, então, construirmos pontes de confiança entre os seres humanos, com todos acreditando em todos, não pela crença cega, mas porque a verdade prevalece nas atitudes de cada ser.

E nessa questão envolvendo a dúvida lembro-me de um amigo que sempre alertava para pedir recibos de tudo, porque vivemos no mundo dos comprovantes. Dizia ele: “É recibo pra provar que pagou a água, luz, comprovante de pagamento do IPVA, autenticação do IPTU. Ai de você se não tiver recibo, irão chamá-lo de maluco, negligente e até irresponsável. E de nada adianta você garantir que pagou. Sem recibo, meu caro, vão cortar sua água sem dó nem piedade. Corra pra provar, dê um jeito, enfim, pague novamente porque não vão acreditar em uma palavra do que você diz”.

Estranho, mas ele tem razão. De fato ninguém acredita em ninguém. O papel vale mais do que a palavra do homem. Como estamos desacreditados! O indivíduo guarda caixas e mais caixas de recibos e comprovantes por não sei quantos anos, e ainda fica feliz por ser tão organizado, mas não percebe que aqueles comprovantes de pagamento valem mais do que sua palavra.

E isso é tão sério que dia desses um outro amigo, o Narciso, narrou uma de suas aventuras: Precisou provar que ele era ele. Hilário! Convidado para proferir palestra sobre o tema Qualidade de Vida, não o deixaram entrar no salão onde ocorreria o evento. Lá dentro todos desesperados a sua procura e Narciso explicando ao porteiro que ele era ele. Não acreditavam em sua palavra. Pediram RG, CNH, Reservista, mas... nada, Narciso não portava documentos. A sorte foi que em dado momento um dos organizadores do evento resolveu ir até a portaria e lá encontrou Narciso utilizando sua hábil retórica para provar ao porteiro que ELE ERA ELE. No entanto, a habilidade com as palavras de nada adiantou porque quem resolveu o dilema foi outra pessoa: o organizador da palestra.

Um exemplo simples mas claro de como estamos acostumados a duvidar dos outros, pois para tudo exigimos provas, comprovantes, recibos. Aliás, até no amor é preciso passar recibo de pagamento. Prove que me ama! E lá vai Ele ou Ela atender o pedido da “Cara Metade”, não raro com as mais esdrúxulas extravagâncias para provar ao outro a sua paixão. Só a palavra não basta, só os gestos e atitudes não comprovam, é preciso mostrar o recibo, até no amor. É, estamos mesmo imersos em dúvidas e cada vez mais desconfiados dos outros e até de nós mesmos. Para ser claro, reafirmo: não me refiro às dúvidas necessárias e ao acreditar cego, mas, obviamente a importância de gradativamente dispersarmos o clima de desconfiança que impera entre as pessoas. Contudo, fica a pergunta: Como fazer isso? Simples: sendo verdadeiros sempre, primando pela postura ética e coerente, abolindo a prática famigerada do famoso “jeito brasileiro”, pois assim, certamente em futuro próximo não precisaremos, como Narciso, provar aos outros que Nós somos Nós mesmos.


Wellington Balbo
http://wellingtonbalbo.blogspot.com/

--------------- Envie sua opinião ao autor do artigo! ---------------
Nome:
E-mail:
Sua Opinião:
Seu IP:
38.107.191.114
Versão para impressão Envie esta página!
 
pintoresfamosos.com.br - Todos os direitos reservados
Brasil - Bariri/SP