| Emiliano Di Cavalcanti nasceu
em 6 de setembro de 1897, no Rio de Janeiro, na casa de José
do Patrocínio, que era casado com uma tia do futuro pintor.
Quando seu pai morre em 1914, Di obriga-se a trabalhar e faz ilustrações
para a Revista Fon-Fon. Antes que os trepidantes anos 20 se inaugurem
vamos encontrá-lo estudando na Faculdade de Direito. Em
1917 transferindo-se para São Paulo ingressa na Faculdade
de Direito do Largo de São Francisco. Segue fazendo ilustrações
e começa a pintar. O jovem Di Cavalcanti freqüenta
o atelier do impressionista George Elpons e torna-se amigo de
Mário e Oswald de Andrade. Em 1921 casa-se com Maria, filha
de um primo-irmão de seu pai.
Pierrete
óleo sobre tela - 78 x 65 cm
- 1922 - |
Entre 11 e 18 de fevereiro de 1922
idealiza e organiza a Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal
de São Paulo, cria para essa ocasião as peças
promocionais do evento: catálogo e programa. Faz sua primeira
viagem à Europa em 1923, permanecendo em Paris até
1925. Freqüenta a Academia Ranson. Expõe em diversas
cidades: Londres, Berlim, Bruxelas, Amsterdan e Paris. Conhece
Picasso, Léger, Matisse, Eric Satie, Jean Cocteau e outros
intelectuais franceses. Retorna ao Brasil em 1926 e ingressa no
Partido Comunista. Segue fazendo ilustrações. Faz
nova viagem a Paris e cria os painéis de decoração
do Teatro João Caetano no Rio de Janeiro.
Os anos 30 encontram um Di Cavalcanti
imerso em dúvidas quanto a sua liberdade como homem, artista
e dogmas partidários. Inicia suas participações
em exposições coletivas, salões nacionais
e internacionais como a International Art Center em Nova Iorque.
Em 1932, funda em São Paulo, com Flávio de Carvalho,
Antonio Gomide e Carlos Prado, o Clube dos Artistas Modernos.
Sofre sua primeira prisão em 1932 durante a Revolução
Paulista.
Casa-se com a pintora Noêmia
Mourão. Publica o álbum A Realidade Brasileira,
série de doze desenhos satirizando o militarismo da época.
Em Paris, em 1938, trabalha na rádio Diffusion Française
nas emissões Paris Mondial. Viaja ao Recife e Lisboa onde
expõe no salão O Século quando
retorna é preso novamente no Rio de Janeiro. Em 1936 esconde-se
na Ilha de Paquetá e é preso com Noêmia. Libertado
por amigos, seguem para Paris, lá permanecendo até
1940. Em 1937 recebe medalha de ouro com a decoração
do Pavilhão da Companhia Franco-Brasileira, na Exposição
de Arte Técnica, em Paris.
Mulheres
com Frutas
óleo sobe tela - 60 x 100 cm.
- 1932 - |
Com a iminência da Segunda
Guerra deixa Paris. Retorna ao Brasil, fixando-se em São
Paulo. Um lote de mais de quarenta obras despachadas da Europa
não chegam ao destino, extraviam-se. Passa a combater abertamente
o abstracionismo através de conferências e artigos.
Viaja para o Uruguai e Argentina, expondo em Buenos Aires.
Conhece Zuíla, que se torna
uma de suas modelos preferidas. Em 1946 retorna à Paris
em busca dos quadros desaparecidos, nesse mesmo ano expõe
no Rio de Janeiro, na Associação Brasileira de Imprensa.
Ilustra livros de Vinícius de Morais, Álvares de
Azevedo e Jorge Amado. Em 1947 entra em crise com Noêmia
Mourão - "uma personalidade que se basta, uma artista,
e de temperamento muito complicado...". Participa com Anita
Malfatti e Lasar Segall do júri de premiação
de pintura do Grupo dos 19. Segue criticando o abstracionismo.
Expõe na Cidade do México em 1949.
Auto-retrato
óleo sobe tela - 33,5 x 26 cm.
- 1943 - |
É convidado e participa da
I Bienal de São Paulo, 1951. Faz uma doação
generosa ao Museu de Arte Moderna de São Paulo, constituída
de mais de quinhentos desenhos. Beryl Tucker Gilman passa a ser
sua companheira. Nega-se a participar da Bienal de Veneza. Recebe
a láurea de melhor pintor nacional na II Bienal de São
Paulo, prêmio dividido com Alfredo Volpi. Em 1954 o MAM,
Rio de Janeiro, realiza exposição retrospectivas
de seus trabalhos.
Faz novas exposições
na Bacia do Prata, retornando à Montevidéu e Buenos
Aires. Publica Viagem de minha vida. 1956 é o ano de sua
participação na Bienal de Veneza e recebe o I Prêmio
da Mostra Internacional de Arte Sacra de Trieste. Adota Elizabeth,
filha de Beryl. Seus trabalhos fazem parte de exposição
itinerante por países europeus. Recebe proposta de Oscar
Niemayer para a criação de imagens para tapeçaria
a ser instalada no Palácio da Alvorada também pinta
as estações para a Via-sacra da catedral de Brasília.
Ganha Sala Especial na Bienal Interamericana
do México, recebendo Medalha de Ouro. Torna-se artista
exclusivo da Petite Galerie, Rio de Janeiro. Viagem a Paris e
Moscou. Participa da Exposição de Maio, em Paris,
com a tela Tempestade. Participa com Sala Especial na VII Bienal
de São Paulo. Recebe indicação do presidente
João Goulart para ser adido cultural na França,
embarca para Paris e não assume por causa do golpe de 1964.
Aldeia
de Pescadores
guache - 43 x 50 cm.
- c. 1950 - |
Vive em Paris com Ivette Bahia Rocha,
apelidada de Divina. Lança novo livro, Reminiscências
líricas de um perfeito carioca e desenha jóias para
Lucien Joaillier. Em 1966 seus trabalhos desaparecidos no início
da deácada de 40 são localizados nos porões
da Embaixada brasileira. Candidata-se a uma vaga na Academia Brasileira
de Letras, mas não se elege. Seu cinquentenário
artístico é comemorado.
modelo Marina Montini é a musa da década.
Em 1971 o Museu de Arte Moderna de São Paulo organiza retrospectiva
de sua obra e recebe prêmio da Associação
Brasileira de Críticos de Arte. Comemora seus 75 anos no
Rio de Janeiro, em seu apartamento do Catete. A Universidade Federal
da Bahia outorga-lhe o título de Doutor Honoris Causa.
Faz exposição de obras recentes na Bolsa de Arte
e sua pintura Cinco Moças de Guaratinguetá é
reproduzido em selo. Falece no Rio de Janeiro em 26 de Outubro
de 1976.
Informações
retiradas do site oficial
WWW.DICAVALCANTI.COM.BR
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