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Eugène Delacroix



A Morte de Sardanapalo - 1827-28

Óleo sobre Tela
392 x 496 cm

Em 1798, no dia 26 de Abril em Charenton-Saint Maurice, nasceu Eugène Delacroix, o quarto filho de Victoire Œben, filha do famoso ebanista. Charles Delacroix, seu marido, é ministro dos Negócios Estrangeiros. Contudo, existem razões que levam a crer que o verdadeiro pai de Delacroix foi o famoso diplomata Talleyrand (1754-1838), com quem se dizia que Delacroix era muito parecido em personalidade e aparência. Charles Delacroix foi nomeado Prefeito da Gironde, e morreu em 1805. Na ocasião da sua morte, Mme. Delacroix regressou a Paris para viver com a sua filha, Henriette de Veminac. Eugène tornou-se interno no Lycée Impérial, atualmente Louis-le-Grand. Em 1814, a sua mãe morreu, deixando-o órfão aos dezesseis anos. No mesmo ano, Napoleão I abicou a 6 de Abril e Louis XVIII foi coroado rei.

Eugéne viveu com a sua irmã Henriette. Em 1815, completou a educação secundária. A partir de um conselho do seu tio, o pintor Henri-François Riesener (1767-1828), entrou para o estúdio do pintor neoclássico Pierre-Narcisse Guérin (1774-1833), e copiou Rafael e Rubens no Louvre. O ano seguinte passou-o na École des Beaux-Arts, onde travou amizade com Bonington e Pierret. Eugène e o seu sobrinho Charles de Verninac foram acarinhados pela atmosfera agradável da casa familiar de Riesener, mas foi na casa de sua irmã que conheceu o primeiro amor, a jovem inglesa Elisabeth Salter. O retrato que fez dela data de 1817.


A Liberdade Guiando o Povo - 1830

Óleo sobre Tela
260 x 325 cm

Delacroix recebeu, em 1819, a sua primeira encomenda, a Virgem das Colheitas para a igreja em Orcemont; a influência de Rafael é evidente. Mas os seus gostos pessoais estavam mais perto dos de Géricault, do qual ele admirava A Jangada do “La Méduse”. Géricault consegue-lhe uma encomenda: a Virgem do Sagrado Coração para a Catedral de Ajaccio. A morte prematura de Géricault em 1824 deixou Delacroix devastado. A sua situação financeira ficou cada vez mais precária devido a investimentos desastrosos, e era forçado a ganhar dinheiro desenhando caricaturas. Graças ao apoio de Antoine-Jean Gros, uma das suas obras foi aceite no Salon de 1822, e conseqüentemente adquirida pelo estado: A Barca de Dante. Delécluze descreveu o quadro como um “borrão”, mas o jovem jornalista Adolphe Tiers falou em “gênio” e viu a promessa de “grandes obras”, uma promessa que Tiers ajudou a cumprir quando lhe foi atribuído um Ministério após a Revolução de 1830. Começaram a aparecer os primeiros sintomas de laringite tuberculosa da qual Delacroix viria a morrer.


A Entrada dos Cruzados em Constantinopla - 1840

Óleo sobre Tela
410 x 498 cm

Delacroix viveu por uns tempos na casa de um colorista inglês, Thales Fielding, que o introduziu na escola inglesa da paisagem, em particular John Constable, cuja influência é clara na Natureza Morta com Lagostas. No Salon de 1824, Delacroix apresentou o Massacre de Quios, uma reação pessoal ao genocídio praticado por Sublime Porte contra os gregos. Este tinha exigido vários estudos preparatórios. Este trabalho situou Delacroix numa posição firme entre os pintores Românticos, contra os quais se organizavam os clássicos liderados por Auguste Dominique Ingres. As aspirações foram elevadas pelo exaltado Romantismo dos poetas que ele mais admirava: Victor Hugo e Lord Byron.

Em 1825, através de Bonington, Delacroix conheceu uma antiga bailarina da Ópera, Mme. Dalton, que se tornou sua amante. Delacroix passou os meses de Verão em Inglaterra, entrando em contacto com a literatura inglesa; o que deu frutos nas suas ilustrações litográficas para Macbeth e Hamlet. Também desenhou os heróis de Sir Walter Scott e Byron. Alguns anos mais tarde, o Fausto de Goethe viria a inspirar uma série de dezessete litografias, que foram publicadas em 1828.


Hamlet e Horácio no Cemitério - 1839

Óleo sobre Tela
29,5 x 36 cm

A irmã de Delacroix, Henriette de Verninac, morre. Bonington morre em 1828. No Salon de 1828, Delacroix exibiu A Morte de Sardanapalo, uma obra altamente controversa, e a Execução de Marino Faliero. Em 1829 foi morar para o 15 quai Voltaire. Trabalhava muito: estudos para a Batalha de Nancy, para a Batalha de Poitiers e muitos retratos. A Revolução de Julho de 1830 trouxe a abdicação ao trono de Charles X e a coroação de Louis-Philippe. Na sua Liberdade Guiando o Povo, Delacroix pintou um reflexo das lutas políticas que ocorriam em seu redor. A controvérsia em torno da peça de Hugo, Hernani, acabou com o triunfo do Romantismo. Entretanto Delacroix continuou a freqüentar a alta sociedade. Enumerou Stendhal, Merimée e Alexandre Dumas entre os seus amigos. Na Revue de Paris, publicou artigos sobre Miguel Ângelo e Rafael. Todos os Verões ficava em Valmont com os seus primos. Em 1831 foi condecorado pela Légion d'honneur.

O ano de 1832 trouxe consigo um grande acontecimento. A partir de uma recomendação de Mlle. Mars, Delacroix conheceu o Conde Charles de Mornay, embaixador do sultão de Marrocos, Abd er-Rahman. Delacroix foi escolhido para acompanhar o Conde numa viagem que começaria com uma estadia em Tanger, depois Meknès, Cádis, Sevilha, Oran e Argélia; regressou a França no dia 5 de Julho. Estes cinco meses preencheram os blocos de apontamentos de Delacroix com desenhos, esboços e aquarelas. A vida e os costumes árabes fascinaram-no e viriam a inspirar vários quadros. Manet nasceu em 1832.


O Sultão de Marrocos e sua Comitiva - 1845

Óleo sobre Tela
384 x 343 cm

A partir de 1833, Thiers encarregou Delacroix de fazer a decoração do Quarto do Rei no Palácio de Bourbon. Apesar das recusas do Salon e da rejeição da sua candidatura para o Institut de France, Delacroix recebeu muitas encomendas e pedidos de retratos. Ele sentiu profundamente a morte do seu sobrinho, Charles de Veminac, mas foi recebido calorosamente na casa das famílias Pierret e de Villot, cuja mulher deste último, Pauline, veio a ser sua amante e posou para ele na propriedade de Villot em Champrosay. Também nesta altura começou a sua amitié amoureuse com George Sand, embora os seus sentimentos mais ternos estivessem reservados para a sua prima, Joséphine de Forget, que foi sua amante por muitos anos. As suas Mulheres da Argélia nos seus Aposentos foi um grande sucesso no Salon de 1834.

Recebeu importantes encomendas. Decorou a biblioteca da Chambre des députés, em 1840 a da Chambre des pairs no Palais du Luxembourg, e depois a Capela do Santo Sacramento em Saint-Denis. Para executar estas obras necessitou da ajuda de assistentes do seu estúdio, Pierre Andrieu era o mais fiel de todos. Apesar de tudo continuou a expor nos Salons: O Casamento Judeu em Marrocos, O Naufrágio de Don Juan, Medeia Prestes a Matar os seus Filhos e A Entrada dos Cruzados em Constantinopla. Também viajou: em 1839 foi para a Holanda com Elisa Boulanger; ficou muitas vezes em Valmont; em 1842, visitou Nohant, aproximando-se bastante de Sand e Chopin. Cézanne nasceu em 1839; e Rodin, Monet e Zola em 1840.


Auto-Retrato com Boné - 1832

Desenhos
19,3 x 12,7 cm

Para aliviar o seu problema de garganta, Delacroix passou uma temporada nos Pirinéus. Trouxe desenhos e aquarelas da paisagem da montanha. O seu irmão Charles morreu em 1845. Eugène permaneceu mais algum tempo em Bordéus devido ao testamento. A subida ao trono de Louis-Napoleon em 1848 trouxe a esperança de mais encomendas do estado, mas a sua candidatura para o Institut foi repetidamente recusada. Em 1849, ele foi encarregado de pintar a Capela de Saint-Sulpice, embora o trabalho fosse adiado durante vários anos. Jenny Le Guillou, sua amante durante vários anos, permaneceu no centro da sua vida até ao fim. Delacroix conheceu Corot e escreveu um artigo sobre Gros.

Foi responsável pela decoração do teto da Galeria de Apolo no Louvre que terminou em 1851. Antes de aceitar o trabalho, fez uma viagem à Bélgica para adquirir a inspiração de Rubens. Também decorou o Salon de la Paix no Hotel de Ville em Paris (esta obra foi destruída durante a Commune). Delacroix passava a maioria dos Verões em Champrosay e em Dieppe; as vistas marítimas e os quadros de flores que pintou em Dieppe exerceram uma grande influência no impressionismo. Em 1855, exibiu quarenta e oito quadros na Exposição Universal de Paris. Na oitava tentativa, tornou-se membro do Institut. No ano anterior, tinha sido nomeado Commandeur da Légion d'honneur.


Homenagem a Delacroix - 1864 *

Óleo sobre Tela
160 x 250 cm

Em 1857, Delacroix saiu do quai Voltaire para o nº 6 da place de Fustenberg, onde ele tinha um estúdio que estava constantemente sob altas temperaturas devido ao seu problema de garganta. Em 1857, a França concluiu a conquista da Argélia. Houve muitos escândalos; Flaubert foi processado devido à sua obra, Mme. Bovary e Baudelaire devido à sua obra, As Flores do Mal. Em 1859, teve lugar o último Salon, no qual Delacroix participou; apesar da sua assiduidade, já não conseguia trabalhar continuamente e foi forçado a fazer curas de descanso no campo. Em 1861, completou os frescos de Saint-Sulpice e começou a decoração da sala de jantar do banqueiro Hartmann. Em 1863, o seu estado agravou-se; tencionava iniciar O Chefe Marroquino Recebendo um Tributo e Tobias e o Anjo, mas morreu a 13 de Agosto, só e afastado da fiel Jenny Le Guillou. No mesmo ano, foi inaugurado um Salon des Refusés destinado aos artistas rejeitados pelo Salon oficial. Manet gerou um grande alvoroço em torno do seu Déjeuner sur l'herbe, enquanto Cabanel foi aclamado pelo seu Nascimento de Vênus.

O estúdio do artista foi vendido ao hotel Drouot. Fantin-Latour apresentou a sua Homenagem a Delacroix. Mesmo após a morte de Delacroix, “o príncipe dos Românticos”, a homenagem de Fantin-Latour foi considerada escandalosa.

* Este quadro foi exibido no Salon des Refusés em 1864, um ano depois do Déjeuner sur l'herbe de Manet ter causado um tumulto considerável. Uma das razões para isto foi à justaposição em redor de Delacroix de pessoas com ideologias muito divergentes: críticos românticos como Baudelaire, críticos realistas como Champfleuri e Duranty, e artistas contemporâneos com estilos e simpatias deferentes, tais como Whistler, Manet e o próprio Fantin-Latour. Assim, Homenagem a Delacroix tomou a forma de um verdadeiro manifesto para a geração futura com toda a sua diversidade, todos reconheceram em Delacroix - o mestre romântico e exponente do ‘puro classicismo’ - a liberdade que pretendiam para eles próprios.

Informações retiradas do livro: "Delacroix" de Gilles Néret.
(c) 2001 Benedikt Taschen Verlag Gmbh.

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