A
Amazona - 1909
Giz - 29,5 x 21,5 cm |
Amedeo
Clemente Modigliani, o mais novo dos quatro filhos de Flaminio e de
Eugenia Modigliani, nasceu em 12 de julho de 1884, em Livorno (Leghorn),
na Toscana. A família pertencia à burguesia judaica
mais secularizada e, na época do nascimento de Modigliani,
ela passava por situações financeiras precárias.
Devido a uma crise econômica na Itália, a empresa da
família abre falência e para ajudar às despesas
da casa a mãe de Modigliani começa a dar lições
particulares e a fazer traduções. Modigliani cresce
num ambiente com interesses literários e filosóficos.
Em
1898, Modigliani contrai febre tifóide e o seu destino de
artista lhe é revelado num mítico sonho delirante.
Depois de restabelecido, abandona a escola e recebe lições
do pintor Guglielmo Micheli na Academia de Arte de Livorno. No mesmo
ano, seu irmão Emanuele, que virá a ser mais tarde
um famoso membro do Partido Socialista Italiano, é mandado
para a prisão durante seis meses, devido às suas atividades
políticas.
Modigliani
contrai tuberculose e passa o inverno de 1900/1901 em Nápoles,
em Capri e em Roma. Entre os poucos documentos escritos que chegaram
até nos pesquisadores, contam-se cinco cartas que foram escritas
durante este período de convalescença e estudo ao
seu amigo, o artista Oscar Ghiglia.
Cabeça
de Pedra
1911/1912
Calcário
71,1 x 16,5 x 23,5 cm |
A 7
de maio de 1902, Modigliani inscreve-se na Scuola Libera di Nudo
em Florença e tem aulas com Giovanni Fattori. Visita os museus
e igrejas de Florença e estuda a arte do Renascimento.
Modigliani
acompanha o seu amigo Oscar Ghiglia a Veneza, onde permanece até
se mudar para Paris. Em 19 de março de 1903, matricula-se
no Instituto di Belle Arti di Venezia e nas aulas de modelo-vivo.
Nos museus e nas igrejas de Veneza, dedica-se intensamente ao estudo
da arte dos antigos mestres. Nas Bienais de 1903 e de 1905, vê
as obras dos Impressionistas franceses, esculturas de Rodin e pinturas
que se inserem na corrente do Simbolismo. Em Veneza, Modigliani
conhece os "prazeres do haxixe"; estabelece amizade com
artistas como Ortiz de Zarate e Ardengo Soffici, que volta a encontrá-los
em Paris. Existem muito poucas obras deste período de estudos
de Modigliani na Itália.
No
início de 1906, o pintor vai para Paris. Instala-se num pequeno
estúdio em Montmartre e freqüenta aulas de modelo-vivo
na Académie Colarossi. Conhece Maurice Utrillo, de quem ficará
amigo toda por toda a vida. No outono, troca conhecimentos com o
pintor alemão Ludwig Meidner, que o descreve como "o
último boêmio autêntico".
Em
1907, o pintor Henri Doucet leva Modigliani para a casa da Rue de
Delta, que o jovem médico Paul Alexandre e o irmão
alugaram para apoiarem jovens artistas. Alexandre é o primeiro
patrono de Modigliani. Compra-lhe quadros e desenhos e arruma encomendas
de retratos. Modigliani está provavelmente representado com
algumas obras no Salon d'Automne. Visita a retrospectiva de Cézanne,
que o impressiona profundamente. Os seus quadros revelam uma forte
influência dos modelos Simbolistas e dos quadros de Toulouse-Lautrec
e de Edvard
Munch.
Retrato
de Jeanne Hébuterne - 1918
Óleo sobre tela - 91,4 x 73 cm |
Modigliani
expõe seis quadros no Salon des Indépendants em 1908,
incluindo 'A Judia'. Apesar da saúde débil, participa
na vida sensual e dissoluta dos artistas de Montmartre. Muda de
casa várias vezes.
Na
primavera de 1909, executa o retrato 'A Amazona'. É a sua
primeira encomenda de um retrato, paga. Um recibo de renda mostra
que Modigliani tinha um estúdio na Cité Falguière
em Montparnasse, pelo menos a partir de Abril. Por intermédio
de Paul Alexandre, troca conhecimentos com o escultor romeno Constantin
Brancusi. Modigliani passa o Verão na Itália com a
família, onde "recupera a saúde e a roupa",
como escreve numa carta a Paul Alexandre. É provavelmente
neste ano que Modigliani inicia a escultura em pedra, que durante
algum tempo terá prioridade em relação à
pintura.
Em
1910 expõe pela segunda vez no Salon des Indépendants.
Torna-se
amigo do escritor Max Jacob e tem uma ligação sentimental
com a poetisa russa Anna Achmatova.
Nú
em Pé - Elvira
- 1918
Óleo sobre tela - 92 x 60 cm |
No
ano seguinte, expõe as suas esculturas de pedra arcaizantes,
a que dá o nome de 'colunas de ternura', no estúdio
do artista português Amadeu de Sousa Cardoso. Fotografias
da exposição mostram as cabeças iluminadas
e apresentadas como um "conjunto decorativo". Surge a
idéia de construção de um "templo da beleza"
para instalar as esculturas-ídolo. Inicia-se uma fase de
intenso trabalho sobre o motivo das cariátides.
Modigliani
conhece em 1912 os escultores Jacques Lipchitz e Jacob Epstein.
As suas esculturas são expostas no Salon d'Automne. O pintor
inglês Augustus John compra uma escultura. No fim do ano,
Modigliani passa a viver de novo em Montmartre, na Passage de
l'Elysée
des BeauxArts (atual Rue Antoine).
Na
primavera de 1913, Modigliani passa algum tempo em Livorno, instala-se
perto de uma pedreira toscana. Numa carta, informa Paul Alexandre
de que está a esculpir em mármore e que vai enviar
as peças acabadas para Paris. Todavia, as estátuas
de mármore de Modigliani nunca foram encontradas.
Através
de Max Jacob, Modigliani conhece, em 1914, o negociante de arte
Paul Guillaume, que nos anos seguintes lhe
dará apoio e inclui a sua em várias exposições
coletivas na sua galeria. Em maio/junho expõe seus trabalhos
na exposição 'Arte do Século XX' na Whitechapel
Gallery de Londres.
Retrato
de Paul Alexandre contra Fundo Verde - 1909
Óleo sobre tela - 100 x 81 cm |
Em
junho, conhece a excêntrica jornalista inglesa, Beatrice Hastings.
Terá com ela uma tempestuosa ligação amorosa,
que durou 2 anos, período esse em que ela é o modelo
preferido dos seus retratos. Quando explode a guerra, Modigliani
fica isento do serviço militar por motivos de saúde.
Paul Alexandre é alistado, pondo termo ao contato entre ambos.
Alexandre possui uma coleção de cerca de 400 desenhos
de Modigliani que só são dados ao público em
1990. Modigliani recomeça a pintar e durante o resto de sua
vida se dedicou quase que exclusivamente ao retrato.
Modigliani
pinta, em 1915, um retrato de Picasso. Muda-se para o apartamento
de Beatrice Hastings, na Rue Norvain na Butte Montmartre.
No
ano seguinte, faz muitos retratos de contemporâneos famosos.
Uma série de fotografias tiradas por Jean Cocteau em 12 de
agosto mostram o pintor com Picasso, Max Jacob, André Salmon,
Ortiz de Zarate e Moïse Kisling. No outono, a sua obra é
apresentada numa exposição no estúdio do pintor
Lejeune, na Rue Huygens. Conhece o poeta e negociante de arte polaco,
Leopold Zborovski, que será seu amigo e protetor. Depois
de romper com Beatrice Hastings, Modigliani abandona o apartamento
que ambos partilhavam e começa a pintar no apartamento de
Zborovski, na Rue Joseph Bara.
Em
1917, executa uma série de cerca de trinta pinturas de nus.
Em abril, Modigliani conhece uma jovem de dezenove anos, Jeanne
Hébuterne, que estuda na Académie Colarossi. Mudam-se
para um apartamento na Rue de la Grande Chaumière. Em 3 de
dezembro, é inaugurada a sua primeira exposição
individual na Galeria de Berthe Weill. A exposição
é forçada a encerrar durante a inauguração
porque os seus nus são considerados escabrosos.
Modigliani,
c.
1902
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Dada
a ameaça de invasão pelas tropas alemãs em
1918, Modigliani e Jeanne abandonam Paris na primavera e vão
para a costa mediterrânica. Em Nice e nos seus arredores,
Modigliani pinta muitos retratos que manda para Paris para serem
vendidos por Zborovski. Em 29 de novembro, em Nice, Jeanne Hébuterne
dá à luz uma menina, que é reconhecida por
Modigliani como sua filha. Recebe o mesmo nome de batismo da mãe.
Em dezembro, Paul Guillaume organiza uma exposição
no Faubourg Saint-Honoré, onde Modigliani também está
representado.
Zborovski
promove, em 1919, a apresentação de várias
obras de Modigliani em exposições realizadas na Inglaterra.
É exposto em Heale, na mostra de 'Pintura Moderna Francesa',
e na Hill Gallery em Londres. Os colecionadores de arte inglesa
começam a comprar os seus quadros. No fim de maio, Modigliani
volta a Paris. Em julho, assina um documento em que se compromete
a casar com Jeanne, outra vez grávida. No fim do ano adoece
gravemente com tuberculose e é cancelada uma viagem que havia
planejado para a Itália.
Em
24 de janeiro de 1920, Modigliani morre no Charité de Paris.
No dia seguinte, Jeanne Hébuterne suicida-se. Uma grande
multidão assiste ao funeral de ambos no cemitério
de Père Lachaise. A filha Jeanne é adotada pela irmã
de Modigliani, residente em Florença, e escreve mais tarde
uma importante biografia de seu pai. A primeira exposição
retrospectiva da obra de Modigliani tem lugar na Galeria Montaigne
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