Camile Pissarro

Margens do Marne e Chennèvieres 1864-5 |
Camile Pissarro nasceu em 10 de
julho de 1830 na ilha de St. Thomas, no Caribe. Seu pai, Abraham Gabriel Pissarro,
era um judeu francês de origem portuguesa que possuía uma loja de ferragens no
porto de Charlotte-Amalie. Sua mãe, Raquel Manzano, era mulata. Mostrou um
talento precoce para o desenho, mas não foi encorajado por seus pais, que haviam
planejado para ele a carreira de comerciante. Foi enviado a Paris em 1841 para
continuar sua educação. Morou em uma pensão em Passy, cujo proprietário, Savary,
incentivou seus desenhos e sugeriu que desenhasse ao ar livre, observando diretamente
a natureza - uma prática quase desconhecida naquela época. |
| Pissarro foi chamado de voltaa
St. Thomas com 17 anos, para trabalhar no comércio. Em 1850, o pintor dinamarquês
Fritz Melbye foi enviado para lá, a negócios, pelo governo. Intrigado com o jovem
que aproveitava todas as oportunidades para fazer esboços e desenhar, logo se
tornou amigo de Pissarro. Melbye encorajou suas inspirações artísticas, e Pissarro
eventualmente decidiu acompanhar seu novo amigo em sua missão na Venezuela. |
|
Pissarro retornou a St. Thomas em agosto de 1854, mas em
menos de um ano partiu para a França: seu pai havia percebido que o talento do
filho não poderia ser abafado. Uma vez em Paris, freqüentou vários cursos, possivelmente
até alguns na École des Beaux-Arts. Trabalhou seriamente na pintura acadêmica,
mas seus instintos o levaram em direção à paisagem, à natureza, e à observação
direta.
Era um grande admirador de Camille Corot, famoso por suas paisagens
sutis e elegantes, e quando Pissarro apresentou seu trabalho em
uma exposição pela primeira vez, descreveu-se como um "aluno de
Corot". |

As Margens do Oise, próx.
a Pontoise 1878 |
Um encontro de grande importância
na vida de Pissarro e que teve profundo efeito na direção que a arte do final
do séc. XIX tomaria, aconteceu em 1857. Enquanto freqüentava a Académie Suisse,
um ateliê informal, conheceu Claude Monet, então com 17 anos, que viera de uma
educação similar e combinado com gostos e temperamentos compartilhados, alimentou
uma amizade. O primeiro quadro de Pissarro apresentado no Salão, Paisagem
em Montmorency, foi exposto em 1859, mas as pinturas que ele submeteu em 1861
e 1863 foram rejeitadas. Seus trabalhos reaparecem nos Salões de 1865, 1866 e
1868, recebendo comentários favoráveis da imprensa. |

Mulher cavando em um pomar
1882 |
A
claridade e a luminosidade que caracterizam os trabalhos impressionistas
começou a aparecer nos quadros de Pissarro. Sua confiança em manipular
tintas aumentou, fazendo com que mudasse do centro de Paris para
a região rural do norte da França, Pontoise, para ficar mais próximo
de sua inspiração. Ele possuía dois filhos com sua amante Julie
Vellay, mas o casamento levaria, ainda, alguns anos.
Em 1869, Pissarro
e sua família mudaram-se para Louveciennes, mas em 1870 uma invasão da França
pela Alemanha parecia inevitável. Pissarro fugiu da guerra Franco-Prussiana indo
para a Bretanha e depois para a Inglaterra, onde encontro Monet e sua amizade
floresce. Em 1870, Pissarro e Julie casam-se e voltam para Louveciennes no
ano seguinte. Ali, descobre que todos os seus quadros deixados em seu ateliê -
cerca de 1.500 - haviam desaparecido. Em vez de ficar desanimado, Pissarro viu
aquilo como uma forma de liberação. A perda de seu trabalho deu-lhe a chance de
um novo e vigoroso reinício, apesar de estar com mais de 40 anos. O artista
muda-se com sua família para o bairro Hermitage, em Pontoise, e volta às paisagens
conhecidas que amava - algo que continuaria a fazer por toda a sua vida. Viajou
também para mais longe, Osny e Auvers, onde encontrou Cézanne. Os dois se encontraram
pela primeira vez em 1861 e agora calorosamente renovaram sua amizade, restanto
poucas dúvidas de que um influenciou o trabalho do outro nessa época. |
Em 1874, Pissarro era visto
como membro mais velho de um grupo de artistas - Monet, Cézanne, Guillaumin, Renoir
e Sisley - que esta insatisfeito com a rigidez do Salão. Organizaram uma exposição
por sua conta, mas estavam totalmente despreparados. A imprensa e o público derramaram
uma corrente de despreso e ridículo. Os quadros eram considerados ultrajantes,
não pelo assunto retratado, mas pela técnica utilizada. Um quadro de Monet, Impressão:
Sol Nascente, provocou ofensas muito duras, o termo "Impressionismo" foi cunhado
em um artigo riducularizando seu trabalho, a palavra tornou-se popular rapidamente
e foi adotada pelos artistas. Outras duas exposições foram realizadas em 1876
e 1877, na galeria de Durand-Ruel, onde apenas aqueles preparados para aceitar
o nome infame de Impressionismo foram aceitos. Na terceira exposição havia 18
expositores, dentre ele Sisley, Monet, Degas, Renoir, Berthe Morisot, Cézanne
e Pissarro, onde cada um desses possuía uma vigorosa veia de individualismo, mas
Pissarro destacou-se como seu líder reconhecido. O trabalho de Pissarro aos
poucos ganhava reconhecimento, mas estava longe de lhe dar segurança financeira.
Sete filhos nasceram entre 1863 e 1884, mas Pissarro mostrava-se consciente de
suas responsabilidades como pai. Cartas desse período revelam a gravidade de seu
problemas financeiro e a consciência deles, entretanto seus trabalhos nunca refletiram
tristeza e muito menos desespero. |
|
No início da década de 1880, Durand-Ruel estava enfrentando tempos difícies, o
que inevitavelmente tinha um efeito ruim sobre os artistas que patrocinava. Mesmo
assim, ele começou a organizar uma série de exposições individuais; a de Pissarro
aconteceu em maio de 1883. Os negócios passaram a melhorar e um rico mercado foi
desenvolvido no exterior, particularmente em Londres e Estados Unidos. Pissarro
mudou-se para Eragny-sur-Epte em 1884, e sua casa permaneceu como um patrimônio
da família até sua morte. Em 1884, Pissarro foi apresentado a Georges Seurat,
que desenvolvia um estilo de pintura conhecido como Pontilhismo ou Divisionismo.
Pissarro convenceu-se de que essa técnica acrescentaria maior luminosidade à superfície
pintada. Uma mudança radical no estilo de pintura era audacionso para um artista
no final dos 50 anos; suas experiências com o Pontilhismo não obtiveram aprovação
universal, e finalmente ele chegou a conclusão de que era uma técnica estéril
sem a espontaneidade e a proximidade que ele valorizava na arte. A última
década do séc. XIX viu uma grande melhoria na sote de Pissarro. Seus antigos patrocinadores
aliviados por seu abandono do Neo-impressionismo e da técnica do Pontilhista,
renovaram sua fidelidade. Em 1890 duas paisagens foram vendidas por somas bastante
substanciais. Mais gratificante era o crescente reconhecimento de Pissarro como
mestre do Impressionismo. Em 1890, Theo Van Gogh, irmão de Vincent, organizou
uma exposição individual do trabalho de Pissarro, e Durand-Ruel promoveu exposições
regulares de 1892 a 1901. |

Auto-retrato - 1903 |
Pissarro fez algumas viagens
à Inglaterra à Bélgica e à Holanda durante esses anos e viajou muito pelo norte
da França. Desenvolveu interesse pela água-forte e, na realidade, continuou a
trabalhar em gravações até o dia anterior à sua morte, Em 1895, desenvolveu uma
doença nos olhos, que fez com que sua vista de deteriorasse e forçou a trabalhar
em ambientes fechados. Como conseqüência, muito de seus últimos quadros, especialmente
paisagens urbanas de Rouen e Paris, foram vistos através de janelas. Pissarro
morreu em novembro de 1903, deixando para trás um grande legado de quadros, águas-fortes
e litogravuras. Ele próprio um grande pintor, este homem bondoso e gentil teve
uma poderosa influência sobre os outros artistas de sua época. Cézanne o descreveu
como "humilde e colossal" - um epitáfio adequado. |
Informações retiradas
do livro: "Vida e obra de Pissarro" de Linda Doeser.
(c) Ediouro Publicações S.A.
WWW.EDIOURO.COM.BR
|
|
|