Peter Paul Rubens

Retrato Eqüestre do Duque
de Lerma 1603 |
Peter
Paul Rubens foi chamado de o maior expoente do Barroco Setentrional,
uma extensão da arte barroca da Itália do século XVII que influenciou,
com modificações, muito da arte da Europa católica (e não deixou
de influenciar países protestantes, tais como a Inglaterra e os
Países Baixos) até mesmo no século XVIII. A arte barroca, no seu
melhor, foi um casamento das artes da arquitetura, da pintura e
da escultura com a intenção de convidar o espectador a emocionalmente
tomar parte daquilo que ela estava retratando. O estilo envolvia
uma rica e muitas vezes surpreendente e emotiva mistura de cor,
luz e movimento. Era um estilo de obra no qual Rubens brilhava e
para o qual sua personalidade afetuosa, emocional e amigável, sua
erudita formação européia e sua religião católica eram idealmente
talhadas.
Rubens nasceu em Siegen, na Vestefália, de pais de origem flamenga,
em 29 de junho de 1577. A família Rubens encontrava-se na Vestefália
porque Jan Rubens, pai de Peter, fora forçado a fugir da Antuérpia
católica, dominada pela Espanha, sob suspeita de ser um calvinista.
A família só retornou à Antuérpia após a morte de Jan Rubens, em
1587. |
| O pintor começou a estudar
arte na adolescência, tornando-se aluno de vários artistas flamengos,
inclusive o erudito e sábio pintor Otto van Veen. Provavelmente foi
van Veen quem aconselhou Rubens a ir para a Itália estudar pintura.
O jovem, já então um artista promissor, foi para Veneza em 1600, onde
ainda era dominante o legado de Ticiano. De Veneza, Rubens foi para
Mântua assumir a posição de pintor da corte de Vincenzo Gonzaga, Duque
de Mântua. |
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O trabalho na casa do duque deu ao artista a oportunidade de viajar
pela Itália, estudando pintura em Roma, Milão e Gênova. Em 1603,
o duque o enviou como embaixador à Espanha, levando presentes, inclusive
pinturas, a Filipe III. Em Madri, Rubens defrontou-se com a obra
de Ticiano e Rafael na coleção real, tendo-lhe sido atribuídas grandes
encomendas para a coleção real e para o Duque de Lerma, primeiro-ministro
do rei.
Foi, portanto, um jovem bastante viajado e artisticamente experimentado
que retornou apressadamente à Antuérpia, em 1608, para ver a mão
à morte. Na ocasião, Rubens chegou muito tarde para despedir-se
da mãe e já planejava retornar à Itália quando lhe foi oferecido
o cargo de pintor da corte junto aos governantes espanhóis do Países
Baixos, o Arquiduque Alberto e a Arquiduquesa Isabel, filha de Filipe
II da Espanha. Filipe II nomeara Alberto e Isabel governadores dos
Países Baixos com a expectativa de que estes pudessem ter um filho
que viria a se tornar o único soberano do país. Na realidade, nenhum
filho foi gerado, e quando Alberto morreu, Isabel tornou-se a única
regente dos Países Baixos sob o domínio espanhol e uma pessoa de
grande importância na vida de Rubens, como mecenas e amiga.
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O Apóstolo Simão (Pedro)
c.1603 |
| O pintor passaria o
resto da vida na Antuérpia. Em 1609, estabeleceu-se uma trégua entre
Holanda e Espanha, assegurando uma temporária suspensão da guerra
nas antigas possessões espanholas no norte da França. Naquele ano,
Rubens aceitou a posição de pintor da corte, casou-se, construiu uma
esplêndida casa na Antuérpia e estabeleceu-se na vida como um rico
e bem-sucedido artista. Sua esposa era Isabel Brant, filha de um culto
e afortunado cidadão da Antuérpia, e Rubens viveria com ela dezessete
felizes anos de casamento. |

Encargo de Cristo a Pedro
c.1614 |
Seguiu-se o que tem sido chamado de a mais frutífera e ativa carreira
na história da arte. Rubens possuía um grande ateliê no qual empregava
muitos artistas promissores, e ele mesmo mantinha o costume da época
de trabalhar em numerosos projetos com a colaboração de outros artistas
estabelecidos. Dentre os seus principais assistentes no ateliê estavam
Antônio van Dyck, Jacob Jordaens e Frans Snyders. Produziu quandros
mitológicos e religiosos, retratos e paisagens de grande força e
beleza e em quantidade sem paralelo, sendo a sua magnífica pintura
de nus femininos de difícil comparação.
Sua obra teve uma dimensão européia, com encomendas de vários dirigentes,
incluindo Filipe III e Filipe IV da Espanha, a rainha-mãe Maria
de Médici da França e Carlos I da Inglaterra, que ajudaram a divulgar
amplamente a sua fama. Também participou cada vez mais da diplomacia
de sua época, tendo sido aproveitado pela Arquiduquesa Isabel em
várias missões delicadas na Espanha, na França e na Inglaterra,
onde foi agraciado cavaleiro por Carlos I, em 1630.
A morte da esposa Isabel, em 1626, foi um rude golpe para Rubens,
para quem a vivência de felicidade doméstica era essencial ao seu
bem-estar. Um longo período em Madri, em 1628-9, em missão diplomática
que lhe permitiu bastante tempo para pintar, recuperou seu otimismo
- e um segundo casamento, em 1630, com uma bela moça muitos anos
mais jovem, trouxe à tona um segundo desabrochar do gênio artístico
de Rubens.
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A última década de sua vida, passada em parte no campo, na nova
propriedade de Steen, cercado pela crescente família que teve com
Hélène Fourment, foi um período de belas paisagens, pinturas da
vida camponesa cheias de calor e felicidade e uma constante torrente
de desenhos de intimidade e vida, esboços a óleo e pinturas da esposa
e dos filhos. Nos últimos anos, Rubens tornou-se cada vez mais doente
e também abalado pela gota, o que lhe tornava difícil pintar, de
forma que teve praticamente de abandonar as obras de grande porte
em favor das pinturas em cavalete.
Peter Paul Rubens faleceu em 30 de maio de 1640 e foi sepultado
na Igreja de São João, na Antuérpia. |

Auto-retrato - c.1639 |
Informações retiradas do
livro: "Vida e obra de Rubens" de Janice Anderson.
(c) Ediouro Publicações S.A.
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